Quando um homem grita com uma mulher: a contrariedade, o poder e a violência no ambiente de trabalho
Quando um homem grita com uma mulher: a contrariedade, o poder e a violência no ambiente de trabalho Vanessa Maria de Castro Brasília, julho de 2026 "Hoje, um homem gritou comigo no ambiente de trabalho". Esta frase não descreve apenas um desentendimento entre colegas. Divergências pertencem à vida profissional, acadêmica e institucional. Pessoas que trabalham juntas podem discordar de decisões, procedimentos, interpretações e caminhos. A discordância faz parte da convivência democrática. O grito, não. O grito começa precisamente quando alguém abandona a palavra como instrumento de elaboração e passa a utilizar a voz como força de intimidação. Ontem, um homem gritou comigo ao telefone em uma relação de trabalho. Não havia testemunhas, mas a ausência de testemunhas não torna a cena menos violenta. O grito rompe o limite da palavra e invade o outro pela força da voz: intimida, constrange, desorganiza e procura impor uma posição de poder. A ligação terminou, mas a violên...