O Último Azul: envelhecer como crime e a administração da descartabilidade
O Último Azul: envelhecer como crime e a administração da descartabilidade Vanessa Maria de Castro Brasília, fevereiro de 2026 “ A relação com o outro me convoca antes de qualquer escolha.” Emmanuel Levina s O Último Azul, filme brasileiro de drama e ficção científica dirigido por Gabriel Mascaro e lançado em 2025, constrói uma distopia que não se impõe pela violência espetacular, mas pela delicadeza inquietante de uma narrativa que fala baixo, que se organiza em silêncios, em gestos mínimos, em imagens que parecem simples, mas que carregam uma densidade política profunda, justamente porque reconhecível, próxima, possível, quase cotidiana. Estrelado por Denise Weinberg (Tereza) e com a participação de Rodrigo Santoro (Cadu), o filme apresenta um Brasil à beira do distópico em que uma lei de alcance nacional, decretada pelo governo, determina que todas as pessoas idosas sejam compulsoriamente transferidas para colônias habitacionais remotas, sob o discurso de garantir uma velhice supost...