Postagens

Venezuela Sob Ataque: A Guerra e a Distopia Imposta pelos Estados Unidos à América Latina

Imagem
  Venezuela Sob Ataque: A Guerra e a Distopia Imposta pelos Estados Unidos à América Latina Vanessa Maria de Castro Brasília, 3 de janeiro de 2026 A Venezuela amanhece sob ataque dos Estados Unidos, autorizado por Donald Trump. As imagens que circulam instauram uma sensação nítida de distopia: aquilo que por décadas parece impensável no continente americano reaparece como realidade concreta. Trata-se de um ataque imposto por uma potência militar a um país soberano da América Latina, configurando uma declaração de guerra no continente americano, em 3 de janeiro de 2026. A distopia se manifesta quando a força militar substitui o direito, quando a soberania se torna descartável e quando a vida de um povo passa a ser submetida a cálculos estratégicos globais. Uma guerra pode até ter seu início identificado, mas nunca se sabe como ela termina. Seus efeitos atravessam o tempo, atingem gerações, destroem infraestruturas, desorganizam o tecido social e deixam marcas profundas na vida cotid...

Marcas do Tempo: Reflexões de Fim de Ano

Imagem
  Marcas do Tempo: Reflexões de Fim de Ano Vanessa Maria de Castro  Brasília   Travessia de dezembro de 2025 para janeiro de 2026  O final de ano nos convida a escutar o tempo: as memórias do passado saltam em nossa direção; o ontem vai ficando distante; o presente se coloca à nossa frente; e o que ainda virá parece ensaiar seus primeiros passos diante de nós. As marcas do passado permanecem, indeléveis, bordadas ano após ano em nossa pele, no contorno do rosto, na memória do tecido da vida. Assim, o final do ano é, quase inevitavelmente, o momento de falar do tempo. Não apenas do tempo que passou, medido em meses, agendas e compromissos, mas do tempo que nos atravessa e nos informa sobre a nossa finitude. Estamos todos atravessados pelo tempo. Tudo o que vive envelhece, muda e carrega em si a marca da finitude. Seguir vivendo é apenas uma das possibilidades; a outra é não fazer mais parte desta cena. Muitos que iniciaram a caminhada deste ano já...

Quando uma Parte de Nós Também Morre: O Silêncio que a Morte Inaugura

Imagem
 

A Gramática da Guerra: Linguagem, Poder e Estado de Exceção na América

Imagem
A Gramática da Guerra: Linguagem, Poder e Estado de Exceção na América Vanessa Maria de Castro Brasília, 30 de novembro de 2025 Introdução A política internacional do século XXI tem cada vez menos fronteiras nítidas entre a paz e a guerra. Os conflitos convencionais, com trincheiras e frontes definidos, cedem espaço a uma guerra difusa, na qual a linguagem não é meramente um relato dos fatos, mas o próprio campo de batalha. Este ensaio examina esse fenômeno a partir do epicentro de uma crise hemisférica: a decisão dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, de fechar o espaço aéreo da Venezuela em novembro de 2025. Este ato, um casus belli em sua materialidade, é a ponta visível de um iceberg estratégico muito mais profundo. O que está em curso é uma guerra gramatical – um conflito onde a construção semântica de inimigos, a securitização de problemas sociais e a narrativa de exceção precedem e legitimam a ação militar.  Neste ensaio proponho o conceito de "Gramática d...

Bolsonaro Está Preso, mas Suas Ideias Continuam Livres: os Sombrios Ecos que Ameaçam a Democracia

Imagem
Bolsonaro Está Preso, mas Suas Ideias Continuam Livres: os Sombrios Ecos que Ameaçam a Democracia Vanessa Maria de Castro  Brasília, 22 de Novembro de 2025.  A prisão preventiva de Jair Bolsonaro, no dia 22 de novembro de 2025, um sábado, às 6h da manhã, em Brasília,  não encerra um ciclo. Ao contrário, reflete um dos momentos mais delicados da experiência democrática brasileira após a nova República: a coexistência paradoxal entre a responsabilização de um indivíduo e a permanência viva, orgânica e disseminada das ideias que ele encarnou. A prisão de Bolsonaro não encerra um ciclo, mas é um resgate da justiça e uma reafirmação de que o Estado de Direito pode, sim, corrigir os abusos do poder. Mesmo com a continuidade das ideias que ele propagou — de autoritarismo, negação da ciência e da democracia — a prisão de um ex-presidente por suas ações antidemocráticas é um marco simbólico que fortalece a democracia.  Não se trata apenas de uma prisão física, mas da afirmaçã...