Os Retratos da Ausência
Os Retratos da Ausência Vanessa Maria de Castro Brasília, maio de 2026 Em um dia qualquer, ao folhear antigos álbuns de retratos guardados dentro de caixas de fotografias, entre imagens soltas, cartas amareladas, pequenos objetos esquecidos pelo tempo e arquivos digitais espalhados entre computadores e celulares, algo silenciosamente se transforma. Os rostos começam a reaparecer diante de nós. Certas fotografias devolvem pessoas em tempos que já não existem mais: sorrisos intactos, corpos jovens, gestos esquecidos, almoços de domingo, viagens, aniversários e pequenas cenas banais da vida cotidiana que o tempo levou sem pedir licença. Outras imagens guardam pessoas que já partiram e que agora sobrevivem apenas naquele delicado encontro entre memória, luz e afeto. E então emerge uma das experiências mais radicais da condição humana: perceber que a morte interrompe a presença concreta, os encontros, as vozes e a convivência cotidiana, mas não consegue interromper inteiramente o amor...