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O Canto do Cerrado

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  O Canto do Cerrado Vanessa Maria de Castro Uma filha do Cerrado Brasília, outubro de 2025 A lua, o sol e os grilos a cantar, O final do dia é sinfonia no ar. Os grilos anunciam a boa nova: As chuvas vêm celebrar a vida que resiste. Viver no Cerrado é Um louvor à Terra. O céu azul anil brilha em dias secos sem nuvens. A Terra arde e racha, como um coração partido. Os redemoinhos dançam em dias de brisa. Um vermelho se espalha no céu. Tudo se transforma em um grande deserto, parece o fim dos tempos. O fogo chega, como quem não quer nada, e devora tudo. O céu fica tenso e vermelho de espanto. O Cerrado range e estala, Fagulhas dançam entre folhas secas. Árvores tortas, cascas grossas, Folhas secas e flores lindas figuram longe. Cerrado é um campo de oração. As flores desabrocham como presente na seca: Pau-santo, rosa e branco, Veludo nos lábios da chapada, Perfume doce que seduz o vento — O corpo da Terra suspira. Sempre-viva, ouro e neve, Pequena, resistente, quase secreta, Sussurr...

Nuvens sobre o Vale

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Nuvens sobre o Vale As nuvens me convidam a navegar, Brancas, espelhadas de sombra, Me pego refletindo sobre além-mar E o altar da aurora se abre sem demora. Nada se move — e tudo pulsa. O tempo suspira entre luzes veladas, Enquanto meus olhos passeiam Por montanhas, vales, janelas, estradas… De muito longe, de um lugar sem nome, A cidade desperta do sono profundo. A luz resplandece no alto, E a sombra dança na terra. Há tanto mistério neste instante, Tão simples no olhar que tudo alcança, O mundo se revela em silêncio, E se escondem na nuvem que passeia lentamente.  Descubro segredos, meus, seus, nossos... Entre o que brilha e o que se encobre. E o céu e a terra se casam, No compasso da sua dança. Vanessa Maria de Castro Outono de 2025

Tempo de Resistir

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Tempo de Resistir Vanessa Maria de Castro Em tempos sombrios, Onde as vozes são silenciadas, Os corpos são abatidos, Como se fosse um matadouro, Nas ruas, nas praças e nos becos, Só há silêncio. As vozes vão sumindo lentamente, Restam apenas sussurros, Não mais os suspiros dos amantes à noite, Mas o espanto da ausência do grito, Ausência da indignação, Ausência do desassossego, Ausência da coragem, Ausência da revolta, Ausência do tumulto, Onde está você, revolução? Onde se escondeu? Por que nos abandonou? Por que não vem nos visitar? Por que não arromba a porta e entra? Saudade dos gritos: Nas ruas, nas praças e nos becos, Hoje apenas almas penadas a perambular, Pelos becos, nas praças e nas ruas, Andam sem saber para onde: Desorientados, Desassossegados, Desesperados, Corações gelados de medo: Medo da morte, Medo da vida, Medo do ontem, Medo do amanhã, Medo do agora, Medo do amor, Medo do sexo, Medo da dor, Medo sombrio, Medo do medo, A sociedade adormecida e congelada está, Deitada ...