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Mostrando postagens com o rótulo Opinião

Primeiro como tragédia, depois como farsa: a construção de uma farsa

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  Primeiro como tragédia, depois como farsa: a construção de uma farsa Vanessa Maria de Castro Brasília, 9 de março de 2026 “A história se repete: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.” — Karl Marx, O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852) É difícil não lembrar dessa formulação diante do que o Brasil já viveu com a chamada  Operação Lava Jato  e dos modus operandi que hoje aparecem associados à atuação do ministro do STF  André Mendonça e de seu gabinete nas frentes que envolvem o INSS e o Banco Master — instituição financeira mencionada no debate público em razão de possíveis conexões políticas com setores da extrema-direita. Novamente surgem elementos que lembram aquele período: seleção de alvos investigativos, apagamento ou menor visibilidade de determinadas conexões do caso, vazamentos seletivos e a construção progressiva de narrativas públicas de forte caráter moralizante. Esse processo costuma ganhar grande repercussão no sistema midiático...

Venezuela Sob Ataque: A Guerra e a Distopia Imposta pelos Estados Unidos à América Latina

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  Venezuela Sob Ataque: A Guerra e a Distopia Imposta pelos Estados Unidos à América Latina Vanessa Maria de Castro Brasília, 3 de janeiro de 2026 A Venezuela amanhece sob ataque dos Estados Unidos, autorizado por Donald Trump. As imagens que circulam instauram uma sensação nítida de distopia: aquilo que por décadas parece impensável no continente americano reaparece como realidade concreta. Trata-se de um ataque imposto por uma potência militar a um país soberano da América Latina, configurando uma declaração de guerra no continente americano, em 3 de janeiro de 2026. A distopia se manifesta quando a força militar substitui o direito, quando a soberania se torna descartável e quando a vida de um povo passa a ser submetida a cálculos estratégicos globais. Uma guerra pode até ter seu início identificado, mas nunca se sabe como ela termina. Seus efeitos atravessam o tempo, atingem gerações, destroem infraestruturas, desorganizam o tecido social e deixam marcas profundas na vida cotid...

Bolsonaro Está Preso, mas Suas Ideias Continuam Livres: os Sombrios Ecos que Ameaçam a Democracia

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Bolsonaro Está Preso, mas Suas Ideias Continuam Livres: os Sombrios Ecos que Ameaçam a Democracia Vanessa Maria de Castro  Brasília, 22 de Novembro de 2025.  A prisão preventiva de Jair Bolsonaro, no dia 22 de novembro de 2025, um sábado, às 6h da manhã, em Brasília,  não encerra um ciclo. Ao contrário, reflete um dos momentos mais delicados da experiência democrática brasileira após a nova República: a coexistência paradoxal entre a responsabilização de um indivíduo e a permanência viva, orgânica e disseminada das ideias que ele encarnou. A prisão de Bolsonaro não encerra um ciclo, mas é um resgate da justiça e uma reafirmação de que o Estado de Direito pode, sim, corrigir os abusos do poder. Mesmo com a continuidade das ideias que ele propagou — de autoritarismo, negação da ciência e da democracia — a prisão de um ex-presidente por suas ações antidemocráticas é um marco simbólico que fortalece a democracia.  Não se trata apenas de uma prisão física, mas da afirmaçã...

A Cruzada Contra a Democracia e as Mulheres: A Bancada Cristã e a Ameaça à Laicidade

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  A Cruzada Contra a Democracia e as Mulheres: A Bancada Cristã e a Ameaça à Laicidade Vanessa Maria de Castro  Brasília, 23 de outubro de 2025  “A primeira opressão que a sociedade exerce é sobre as mulheres.”  Essa afirmação de Simone de Beauvoir evidencia que, historicamente, as mulheres são o primeiro grupo a sofrer restrições sociais e políticas que refletem a manutenção de estruturas de poder patriarcais. A opressão feminina não é apenas simbólica ou cultural: ela se manifesta em leis, políticas públicas, práticas institucionais e normas sociais que limitam a autonomia das mulheres, controlam seus corpos e moldam seus papéis na sociedade. No contexto do Congresso Nacional brasileiro, essa perspectiva torna-se ainda mais relevante. As medidas e iniciativas legislativas que buscam impor valores religiosos específicos ou restringir direitos reprodutivos demonstram com...

No Kings: Mobilização Popular Contra o Autoritarismo de Trump

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  Fonte: Alyssa Pointer / Reuters No Kings: Mobilização Popular Contra o Autoritarismo de Trump Vanessa Maria de Castro  Brasília, 19 de outubro de 2025  Introdução No sábado, 18 de outubro de 2025, os Estados Unidos testemunharam uma das maiores mobilizações populares da história recente. Sob o lema No Kings , milhões de cidadãos ocuparam ruas e praças em mais de 2.600 cidades e vilarejos, expressando seu repúdio a uma percepção crescente de autoritarismo no governo de Donald Trump. A dimensão inédita da mobilização reflete não apenas a insatisfação política, mas também o engajamento social em defesa de valores democráticos e do espaço público. Espalhados por todo o país, os protestos evidenciaram a oposição a políticas autoritárias e à centralização de poder, bem como a capacidade de organização suprapartidária da sociedade civil. Marcadas por criatividade, humor e resistência pacífica, as manifestações constituíram um esforço coletivo para afirmar direitos fundamentais...